Blog do Alex Ramos
O futebol brasileiro assistiu a mais um capítulo lamentável de intolerância e violência verbal dentro de suas arquibancadas. O que deveria ser um momento inesquecível de alegria e pura admiração transformou-se em um pesadelo de hostilidade e medo para um menino de apenas oito anos, revoltando quem ainda acredita no esporte como espaço de paixão legítima.
Após a vitória do Santos sobre o Corinthians em plena Neo Química Arena, neste domingo (30), o garoto — que é corintiano, mas mantém a admiração sincera pelo talento de Neymar, viveu a emoção de ser presenteado com a camisa usada pelo craque santista ao fim do confronto. No entanto, a comemoração da criança foi brutalmente interrompida pela fúria descabida de adultos incapazes de lidar com a derrota do próprio time.
Revoltados com o resultado em campo, torcedores corintianos partiram para cima da criança e de seus familiares com gritos, xingamentos e intimidação. A covardia foi tamanha que a família precisou ser escoltada por seguranças para conseguir deixar o estádio com segurança. A cena de um menino de oito anos precisar de proteção policial por simplesmente sorrir ao ganhar a camisa de um ídolo expõe o nível tóxico ao qual o fanatismo cego reduziu a experiência nos estádios.
Mesmo sob o clima de terror e acusações descabidas, a família provou que o amor pelo clube não se mede por intolerância. Já do lado de fora da arena, o garoto e seus pais posaram para fotos segurando a camisa de Neymar ao lado da bandeira do Corinthians, e entoaram com orgulho o grito de "Vai, Corinthians".
A atitude dos agressores gera indignação e escancara a urgência de combater a ignorância de quem confunde paixão clubística com violência. O futebol não pertence aos intolerantes, e um menino de oito anos jamais deveria pagar o preço pela frustração de adultos que não sabem perder.
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