Blog do Alex Ramos
Logo nas primeiras horas da manhã do domingo, 04, o cenário ao redor dos locais de votação costuma se repetir por todo o país. As calçadas e vias públicas, antes limpas, acordam cobertas por um "tapete" de panfletos de candidatos. O derramamento de santinhos, prática proibida pela legislação eleitoral na véspera e no dia do pleito, continua sendo um dos problemas mais visíveis e persistentes das eleições brasileiras.
Apesar das campanhas de conscientização e das fiscalizações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a estratégia de panfletagem de última hora busca impactar os eleitores indecisos que ainda caminham em direção à urna. Na prática, porém, o efeito imediato é a degradação do espaço urbano e o aumento significativo nos custos de limpeza pública.
O acúmulo de papéis nas ruas traz consequências diretas para a rotina das cidades e a segurança da população:
* Risco de acidentes: Dias secos ou chuvosos tornam o papel liso em calçadas e rampas de acesso, aumentando o risco de quedas, principalmente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
* Entupimento de bueiros: Em períodos de chuva, a enxurrada carrega toneladas de santinhos para a rede de drenagem, favorecendo alagamentos em pontos críticos das cidades.
O derramamento de santinhos no dia do pleito ou na véspera é considerado propaganda irregular e pode se configurar como crime eleitoral (artigo 39, § 5º, da Lei das Eleições). As penalidades incluem multas e, em casos mais graves, até investigações por compra de votos ou abuso de poder econômico.
Mesmo com a evolução das campanhas digitais e o uso crescente das redes sociais, a sujeira física nas vias expõe a contradição entre o discurso de cidadania dos candidatos e a falta de responsabilidade com a cidade no momento da votação.











