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domingo, 29 de agosto de 2021

Guedes: auxílio emergencial deu 'turbinada' na casa própria. Economista rebate: 'Não dá para comprar nem comida própria'

 Blog do Alex Ramos 

Os números brasileiros mostram um cenário bem diferente do que avalia o governo: 19 milhões de pessoas estão em situação de fome no Brasil, 14,761 milhões de trabalhadores estão desempregados e pelo menos 30 milhões de brasileiros ficaram de fora do auxílio emergencial deste ano. Mas, segundo o ministro da Economia, Paulo Guedes, o auxílio emergencial, ao invés de renda básica, foi um programa de "transferência de riqueza" que, inclusive, deu uma turbinada na compra da casa própria. O que o economista Raul Velloso rebate: "Não dá para comprar nem comida própria".

Para se ter uma ideia, a cesta básica do Rio de Janeiro custa R$ 612,56, em média, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Diante destes números, e da afirmação do ministro, o EXTRA perguntou aos beneficiários: o que é possível comprar com o dinheiro do auxílio emergencial, que varia de R$ 150 a R$ 375 em 2021?

A mãe solo Adriana Pires da Silva, de 42 anos, moradora de Costa Barros, na Zona Norte do Rio, recebe R$ 150 do auxílio e diz que esse valor não dá para comprar quase nada. Ela mostra sua listinha de compras: 5kg de arroz, 2kg de feijão, 2kg de açúcar, 1/2kg de café, 1kg de fubá, 2 garrafas de óleo, 1 saco de leite, 1 kg de sal e uma cartela de ovos. Carne, legumes e verduras não fazem mais parte da alimentação. O auxílio, diz Adriana, ajuda mas é insuficiente.

— Moro na favela e dependo da ajuda de terceiros para poder sobreviver. Com a pandemia, perdi o emprego e não consigo uma recolocação até hoje — lamenta Adriana, que espera uma indenização do Estado do Rio.

Seu filho, Carlos Eduardo da Silva de Souza, o Carlinhos, foi um dos cinco mortos por PMs na chacina de Costa Barros, na Zona Norte do Rio, em novembro de 2015.

— Eu não sei em que mundo eles vivem. Quem compra casa com R$ 375? Não dá nem para comprar o básico para as crianças comerem — diz Juliana Souza, de 32 anos, de Vila Isabel, na Zona Norte do Rio.

Mãe de quatro crianças, Juliana reclama que não tem escola e creche para deixar os filhos e poder procurar emprego. Ela critica as afirmações do ministro da Economia:

— O ministro deveria trocar o salário dele com a gente. Se ele acha que com R$ 375 dá para sobreviver, comprar casa, investir, dar uma turbinada na economia, ele deveria trocar o salário dele pelo auxílio — sugere Juliana, finalizando: — Ele (Paulo Guedes) acha que as pessoas não querem trabalhar para receber essa miséria e ainda acha que é muito.

Angélica Santana da Silva, de 31 anos, mãe de três filhos menores (12, 10 e 9 anos), moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, usa lenha para cozinhar e, com os R$ 150 do auxílio, se vira como pode. Assim como Juliana, as crianças de Angélica também estão sem aulas.

Do Extra

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Luzimar Rodrigues